Sunday, January 06, 2008

Friday, June 09, 2006

Quando
Eu era pequena tinha de trabalhar, pronto, era uma coisa normalíssima e por causa disso (e outras coisas que agora não interessam nada para o caso) gosto de pensar que era infeliz e que toda a minha genialidade foi mal aproveitada. Não deixa, no entanto, de ser verdade que denunciar o trabalho infantil penaliza muito mais as famílias, e por conseguinte as crianças exploradas, do que as multinacionais.

9 comments:

dora said...

Eu tinha que trabalhar um bocado, embora não tanto como tu, mas achava normal que todas as raparigas da minha idade tivessem que tratar das compras da casa, fazer almoço ou jantar, tratar das roupas, passar dois terços do sábado em limpezas e cuidar dos irmãos mais novos. O que me admira, mais do que a minha mãe não ter noção que a minha genialidade estava a ser desperdiçada, era como é que eu conseguia fazer isso tudo e ainda ter tempo para ir à escola, estudar, ocasionalmente fazer desporto, ler livros e até namorar.
Claro que me levantava todos os dias às sete da manhã. Claro que era tremendamente infeliz. Claro que todos os dias desejava ter nascido rapaz.

Inês said...

Eu, nascida em berço de ouro, acho que o facto de teres vivido essa outra vida tem tudo a ver com a tua genialidade. Não a tal que podias ter tido se, mas esta que tens.

pal said...

a "verdade" deste post já lá estava, portanto. e ;)

(e a tua genialidade como se justifica, inês? :p)

(ou, melhor dizendo, não me venham dizer que só não sou lá muito genial porque nunca senti profunda tristeza nenhuma (só agora depois dos 30)!)

(prosseguindo este raciocínio manhoso: chegou a minha hora?)

(e as miúdas? nem sequer as obrigo a andar no ballet ... vão já masé prá lavoura na "bouça"?)


[o que querem dizer com "genialidade" mesmo?!... lol!]

pal said...

desculpa, calita, acho que me passei um cadito... :)

Inês said...

:D

calita said...

ahahahahahahaha, a lavoura na bouça parece-me muito bem!

dora said...

Eu gostava de ter podido ambicionar outras coisas quando era adolescente. Coisas que toda a gente fazia e eu nem sabia o que eram, como ir a um concerto, ir acampar com amigos, ir a festas, poder dispor do fim-de-semana.
O pior que os meus pais me fizeram com essa política do "está em casa a ajudar que está muito bem" foi o de me tirar referências próprias do meu tempo. Eu cresci uma lorpa com medo de chegar atrasada a casa. E depois fui para a universidade e só fiz pequenas merdas à minha vida. Claro que se eu fosse mais inteligente isso não teria acontecido, por isso obviamente não posso culpar os meus pais por tudo. Desculpa, Calita, isto era o teu post.
Mas esta questão salta-me sempre à cabeça porque está tão longe de estar resolvida.

calita said...

Estás à vontade e já agora tens mais do que razões para ter isso resolvido. Olha o que conseguiste fazer da tua vida!

pal said...

olé, calita!