Tuesday, January 30, 2007

Ainda que fosse por breves minutos

Gostava de experimentar viver numa vida em que as grávidas são apenas isso: gajas que decidiram, ou a quem calhou, ter um filho. Em que os filhos fossem apenas isso, crianças que alimentamos, cuidamos, mimamos e catamos as lêndeas. Numa vida em que as pessoas trabalham para pagar as contas e não pensam mais nisso. Uma vida com fins de tarde de copos e discussões sobre merda nenhuma. Gostava que, por breves minutos que fossem, uma foda fosse apenas uma foda e a multa do carro apenas mais uma multa e o salário um mal necessário e pronto.

9 comments:

dora said...

E as grandes questões da humanidade? E as angústias existenciais? E a problematização do ser? E para onde vamos depois da morte? E o fim da História? E a caverna de Platão? E o referendo do aborto? E estamos sós no universo? E os lobos do homem? E os lobos da mulher? Deus existe ou faz de conta? E o poder dos símbolos? E os símbolos do poder? Petróleo ou alimentos? O Estado providencia ou providenciamos nós? Há mesmo um meteoro em colisão com a Terra?

pal said...

acho que era exactamente muitas dessas coisas que a nossa amiga queria evitar nem que fosse por breves minutos!!!
mas tu conseguiste atirar-lhe com tudo em cima, livra!!!!!!! LOL!!!!! ;)

dora said...

A catadupa da humanidade é uma coisa maravilhosa. Porque é que as coisas hão-de ser apenas o que são?

maf* said...

... sem ter nada a ver com este post, respondo ao teu comentário: claro que a gravidez é sempre do casal calas. deveria ser. é bom quando assim é!
mas, em último grau, acaba por ser sempre da mulher. é complicado o homem obrigar a mulher a ter um filho se ela não o quiser. e sabes bem, basta olhar em volta, que não é nada difícil o mesmo homem a deixar "pendurada" quando ele não o quer ter.
é uma questão que não pode ser banalizada, é bicuda, tem muitos lados.
mas, de facto, a última decisão, a meu ver, é - ou deveria ser, com limites e controlo - da mulher. de acordo com uma lei ponderada e não hipócrita e de acordo com a sua consciência.

penso logo digo said...

Eu não vou discutir o óbvio, como já disse. É evidente que qualquer pessoa sabe que a despenalização do aborto nem sequer deveria ir a referendo. Agora, não me ponham as gajas com a a barriga ao léu, a dizer "quem manda aqui sou eu". Isso é desresponsabilização. Ninguém faz um aborto, porque "já que a barriga é minha faço o que me apetece". Se calhar, se fosse só por essa razão nem o fazia, dadas as consequências. Daí eu insistir nesta questão.

boneca de trapos said...

isto está bonito...

pal said...

(voltando ao início)

ó dora, era só por breves minutos, pá! nem dava tempo de sentir falta da catadupa! ;)

dora said...

Nada disso, ou se vive ou não se vive.

sirob said...

gostavas de ser prática