Sunday, December 23, 2007

Das viagens*

Todos, ou quase todos, têm a ilusão de que as viagens são oportunidades únicas e irrepetíveis de poder mudar alguma coisa na nossa vida, ou dentro de nós (ou talvez as viagens sirvam só para mudar de ares, sei lá eu!). Que as viagens são experiências únicas, ninguém pode negar, agora que façam a diferença vai uma longa e complicada distância. Não conheço ninguém que tenham chegado de uma viagem e tenha deixado de trabalhar, comer, dormir, ou cagar. Mas há essa ilusão, digo eu, claro, que parto para uma viagem como se fosse o acontecimento mais importante da minha vida. E depois o que acontece? Tenho dores de garganta iguais, ou piores do que aqui. Tenho frio. Preciso de convencer a criança a vestir roupa quente e não "fashion". Tenho de me levantar cedo. Procurar comida barata e levar nas bentas com a miséria alheia, enquanto passeio semi-descontraída por ruas que nunca tinha visto antes. E depois quero repetir a experiência o mais rápido possível.

*partindo do princípio que uma noite em lisboa, três em Barcelona e seis em Nápoles pode ser considerada uma viagem

2 comments:

pal said...

curioso, o meu raciocínio é ao contrário. antes das viagens, ai mas que maçada, organizar roupas, antecipar eventuais problemas, as esperas que horror.
depois as coisas vão rolando como tem de ser, o desenrasque do dia-a-dia tb serve nessas alturas.
e a conclusão tb é a mesma: quando é a próxima?

(10 dias fora é uma viagenzaça!)

boneca said...

há viagens e viagens; há aquelas que me deixam doente, como as de trabalho. depois há as outras que me deixam em antecipação - as de lazer. e depois há aquelas sem data de regresso marcado... nessas ainda estou em estágio de aprendizagem. volto a informar.