Wednesday, January 10, 2007

Aborto

nem sequer me vou pronunciar...mas não posso deixar de questionar: porque raio se discutem coisas tão óbvias?

8 comments:

maf* said...

se fosse assim tão óbvio, não seria ainda considerado um crime...

dora said...

Não existem coisas óbvias. Ou existem?

Inês said...

Porque são as mulheres que engravidam. Se fossem os homens, há muito que o aborto seria legal. E eu não sou feminista.

pal said...

se tudo o que nós achamos fosse assim tão "óbvio e evidente"* para os outros, ai... tanta coisa se resolvia neste mundo!

* expressão muito usada por alguém que conheço e que me mexe com os nervos...


(e mesmo entre as mulheres não é totalmente óbvio...)

dora said...

Eu serei feminista até ao momento em que não seja preciso ser mais. Na questão do aborto, acho que é preciso apelar ao feminismo das mulheres, no sentido de terem mais consideração por si mesmas. Irrita-me e entristece-me ver mulher nos movimentos do "não" dizerem que é preciso salvaguardar as mulheres das consequências do aborto - porque as mulheres, coitadinhas, não sabem tomar decisões e precisam de ser protegidas de si próprias.
Um homem a dizer isto, ainda vá, vivemos na sociedade em que vivemos. Mas uma mulher a defender que é preciso uma lei para impedir que as mulheres façam asneiras é de vomitar. Ainda não vi um único argumento do "não" que saia desta lógica.
Outro dia, um católico empederdino que votou não no referendo anterior, explicou porque mudou de ideias e vai votar sim neste: "Sou totalmente contra o aborto, mas o castigo de uma mulher que aborta está na sua própria consciência". E mais nada.

penso logo digo said...

Eu só sou feminista na medida em que acredito na igualdade de direitos (admito que as mulheres me parecem superiores, mas isso é completamente 'off the record' e baseado em instintos primários e pouco evoluídos)

Anonymous said...

Já me estou a preparar para mais uma vitória do “não” no próximo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez (basta ler os jornais para ver o rumo que a coisa está a tomar).
Mas, e esta é uma questão importante, as pessoas vão votar “NÃO” a quê?
Pessoalmente, e já aqui o disse, discordo totalmente da existência de um referendo popular. Acho que este problema deveria ser decidido por decreto-lei na Assembleia da República e não através da consulta popular. Porquê? Por dois motivos: Primeiro, a interrupção voluntária da gravidez (e não “ABORTO”) é um problema de saúde pública que se circunscreve a casos individuais e não a decisões colectivas. Segundo, grande parte do povo português não entende o que está realmente em causa nesta lei (preferem aprofundar temas relacionados com futebol ou a vida da vizinha do lado). Os portugueses encaram a interrupção voluntária da gravidez emotivamente em vez de se regerem pelo BOM SENSO, que é a ferramenta essencial na abordagem a este tema. Não entendem que a pergunta do referendo não é: - “É a FAVOR ou CONTRA o ABORTO?”, mas sim: - “Concorda com a DESPENALIZAÇÃO da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por OPÇÃO DA MULHER, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde LEGALMENTE AUTORIZADO?".
Votar “sim” no referendo não é votar a favor do aborto. É votar contra a PENALIZAÇÃO desse acto, é ser contra a lei que considera o aborto um CRIME. É ter o bom senso de considerar que uma mulher que o realizou, por motivos que SÓ A ELA LHE DIZEM RESPEITO, não tenha de ser presente a um tribunal para justificar e ser punida por esse acto (que certamente não decidiu e realizou de ânimo leve).
Não sou a favor nem contra o aborto, penso que esse é um problema social muito delicado que necessita de ser analisado caso a caso e não de uma forma generalizada. Sou sim contra a PENALIZAÇÃO da interrupção voluntária da gravidez, e é por isso que no referendo, a 11 de Fevereiro, vou votar “SIM”.

ps: este é um texto do meu amigo nuno, que hoje publicou no seu blog. não podia concordar mais! e tal como a dora eu serei feminista até...
beijinhos, da subtil

pal said...

e eu só só mais feminista na medida em que acredito mais ainda na igualdade de DEVERES. :p

mas se não aparece ninguém do Não, isto não tem piada nenhuma...