Wednesday, August 09, 2006

Descobri

uma forma de não levar os problemas tão a sério. Imagino-me daqui a dez anos a olhar para este momento e a não me lembrar da angústia que a instabilidade profissional me causa. Pior (ou melhor), provavelmente vou achar que era muito feliz, a Bea só com 5 anos, o casamento à porta, só precisar de um dia para curar ressacas (imagino que daqui a dez anos demore mais), amigos giros e divertidos para beber uns copos, ver cinema, etc.
Nesse tempo em que vou olhar para agora e ver como era feliz, é claro que me vou sentir infeliz. É a filha que é adolescente, os amigos que têm filhos pequenos (ainda bem que também tenho amigas com os filhos pequenos agora), o trabalho que não me permite tirar férias, etc.
Sim, eu sei que não é a descoberta do ano. Já o povo, essa enciclopédia do saber, diz que o tempo tudo cura. Mas neste caso o tempo não é a cura, é o instrumento, anda-se com ele para trás e para a frente e, posso garantir, para além de divertido é bastante clarificador.
Basta recuar àquele momento em que imaginávamos como seríamos dali a uns anos. E, voilá, já somos. Aliás, eu até já passei, porque nunca me imaginei para lá dos 30.

4 comments:

pal said...

tenho pensado coisas semelhantes a isso.

durante muitos anos, em miúda, pensava: como estarei/quem serei/o que farei/com quem estarei no ano 2000?! era assim um ano-mistério no meu imaginário.

fiz 24 anos e casei-me.

(ao ler esta última frase: “granda maluca, bolas!!”)

depois disso não consegui mais ter assim uma data-meta em espírito onde me projectasse num tempo em que as possibilidades fossem infinitas sobre a minha maior ou menor (in)felicidade...

tenho percebido que desde aí, vou levando a vida um anito de cada vez. não (me) projecto, expectativas mínimas. um certo desleixo, de deix’andar, um pouco irresponsável até... à minha volta, graxajadeus, os astros (!!!) lá me vão ajudando. a última coisa que posso fazer é queixar-me....

dora said...

Eu também tenho pensado nisso, acho que é por me estar a aproximar da barreira psicológica dos 30 anos. Mas comigo passou-se o contrário porque não me lembro de, em miúda, fazer grandes projecções quanto ao meu futuro. Via-me como todas as mulheres à minha volta, um dia havia de casar e ter filhos, ter uma profissão, mas tudo em abstracto.
Quando escolhi estudar para ser jornalista, também foi uma decisão pouco ponderada. Queria uma profissão romântica e como era uma burra a matemática, tive que desistir de ser médica em África.
Mas agora, curiosamente, é que me imagino a fazer milhões de coisas, é que imagino um futuro mais concreto, com filhos e projectos profissionais.
Acho que isso acontece porque perdi a sensação de imortalidade ou, pelo menos, de longevidade. Sinto que apalpo mais o tempo e por isso vou pensando melhor no que quero fazer com aquele que estatisticamente me estará destinado.
Só pensava em como estaria fisicamente e acho que, apesar de tudo, me imaginava com um ar mais velho aos 29 anos quanto tinha 15. Porque a verdade é que, tirando agora ter menos espinhas, estou basicamente igual a quando tinha 15 anos.

Anonymous said...

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